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Se não sei quem sou, como posso mudar? A importância do autoconhecimento

  • Renata dos Santos Bonatto
  • 9 de out. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 10 de jan. de 2022




Quando tudo começa a dar errado na vida, logo surge a ideia de que uma mudança é necessária. Cenários desfavoráveis, regras seguidas por anos a fio e que agora parecem mais um castigo do que uma orientação benéfica, crenças que não fazem mais sentido, roupas que parecem não combinar mais. Uma mudança de comportamento pode ser importante para realinhar o que é relevante para nós. Por onde começar, então?


É natural que a primeira atitude seja propor mudanças a nós mesmos: “não vou mais me importar com isso”, “a partir de hoje, só usarei tal tipo de roupa”, “não quero mais saber do que minha família me ensinou”, “eu é quem vou ditar minhas próprias regras” e, quando percebemos, trocamos regras antigas por novas. Em seguida, decidimos que vamos ouvir outros tipos de músicas, compraremos livros diferentes, mudaremos nosso paladar, faremos tudo diferente. Em muitos casos, algumas simples mudanças realmente funcionam, mas a maioria das pessoas percebem que mudar no calor da emoção não é tão eficaz.


Há uma frase muito famosa do psicólogo Carl Rogers que diz

“(...) não podemos mudar, não nos podemos afastar do que somos enquanto não aceitarmos profundamente o que somos”.

Para realizar um processo de mudança que seja mais eficaz, precisamos nos conhecer e isso não é só saber dizer o que gosto ou não. O autoconhecimento é um conjunto de informações que temos sobre nossos comportamentos, valores e gostos pessoais nos mais variados campos da existência humana. A partir do momento que entendemos de onde vieram as regras que seguimos durante muito tempo, como nossos valores e crenças pessoais foram construídos, em quais contextos da vida, o que nos motivou a escolher certos caminhos e não outros, o que nos mantém realizando atitudes que parecem não funcionar mais, conseguimos, como disse Rogers, aceitar quem somos - está colocado diante de nós o conhecimento de quem somos até então.


B. F. Skinner, em Sobre o Behaviorismo, afirma que “Uma pessoa que “se “tornou consciente de si mesma” por meio de perguntas que lhe foram feitas está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento”. Quando sabemos o que nos motiva, nos guia, o que é importante para nós, conseguimos ter uma clareza maior (prever) o que faremos e, assim, agirmos de forma diferente (controlar).


Existem casos em que, por passar a vida seguindo padrões impostos pela mídia, familiares, amigos sem questioná-los, as pessoas realmente não sabem quem elas são: quais seus valores, quais suas cores preferidas, do que gostam, traços de personalidade etc. Para estas pessoas, também é importante conseguirem dizer quem são até o momento para, a partir disso, identificarem quais valores desejam para sua vida, gostos pessoais, crenças e assim começaram o processo de mudança.


Rogers também disse que “(...)quando me aceito como sou, estou me modificando”. Mudar é um processo e nós, enquanto seres agindo no mundo, estamos em constante mudança. Por isso, desenvolver autoconhecimento é importante para guiar nossa trajetória de crescimento pessoal.


Referências:

Rogers, Carl R (1997). Tornar-se Pessoa. 5 a ed. São Paulo: Martins Fontes.

Skinner, B.F. (2002). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix.


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